Tuesday, May 22, 2012

“a máquina de fazer espanhóis”

Escrito por Valter Hugo Mãe.

Esta é uma história fluída, sobre a terceira idade e a vida em geral. É de facto feita para os leitores e não para um público.

Atrevo-me a afirmar que a falta de pontuação tornou a leitura menos confusa mas apenas para os leitores de diálogo, os que falam e ouvem, os populares, quem procura coloquialismo nunca conseguirá entender. Sendo, então, Valter Hugo o perfeito narrador (um vilacondense), um descendente de Saramago, que de pontuação remanescem apenas as vírgulas, os parágrafos e os pontos finais.

Esta é, ainda mais, uma forte crítica sarcástica aos mais diversos temas do Portugal actual e Salazarista. Censura o cinismo de Amália, que nos seus cantos louva a pobreza portuguesa mas vive no luxo. Apesar de admitir que a salvava para eternizar a sua voz no paraíso.

CITAÇÕES:

- “num tempo em que somos todos bons homens a culpa tem de atingir os inocentes”

- ” é tempo. um dia seremos cidadãos de um mesmo mundo. iguais, todos iguais e felizes, nem que seja por obrigação.”

- “nunca nos preparamos para a realidade. passamos a ser cidadãos terrivelmente antipáticos, mesmo que façamos uma gestão inteligente desse desprezo que alimentamos crescendo.”  

- “muitos mentem sem pudor para não se deixarem humilhar”

-“sonhar um mundo é correr riscos ainda maiores. é ser-se ambicioso perante o que já é impossível”

-“(…) e talvez desfazer-me em átomos por não o suportar”

-“(…)a vida era só isto. é só isto, um novo modo de ter saudades, ou de lhes sobreviver”

-“(…) sempre quis afastar-me da política. primeiro porque achava que a política estava entregue, depois porque achava que não me deixariam participar, depois porque tinha medo de participar, e depois porque passava a acreditar que quem lá se metia era porque corrompia de tanta  coisa que afinal, não era era ser-se bom homem o ser-se político.”

-“(…) que merda de palavra, o progresso. e o sucesso e tudo quanto o capitalismo usa para nos pôr a competir uns contra os outros.”

-“fui barbeiro, e li livros, como deviam ler todas as pessoas para ultrapassarem a condição pequenina do quotidiano e das rotinas.”

-“(…) sentir que deus existe é como sentirmos que gostamos de alguém e passarmos a vida inteira a acreditar na correspondência desse amor para descobrirmos, mais tarde, que a pessoa esteve connosco por inércia, por comodidade. sentir o que não existe é uma qualquer piada de nós próprios.

-” o que o estado novo menos queria de nós era a resistência. a manifestação de uma ideia diferente como sinal de esforço para sairmos do meio da carneirada. (…) nos punham de boca fechada porque o ditador achava que sabia tudo por nós. vai lá, português pequenino, fica sossegado e quieto no teu canto que para pensar estou cá eu, tão sapiente e doutor.”

-“nós fomos molhar a cabeça dos filhos à igreja para que os deixassem em paz. convictos de que mais tarde poderiam secar essa água da cabeça se quisessem, como afinal fizéramos nós também.”

-“pudesse eu estar para além da merda de homem amorfo que fora e superar as minhas expectativas. levar um pouco adiante um orgulho de ser mais do que um português, ser pelos portugueses, ser pelas pessoas, por todas as pessoas que tinham naturalmente todas as maneiras de pensar e só assim poderia ser”

- (amália) “a maior voz da desgraça e do engano dos portugueses”

-” só num país com fátima a tapar os olhos do povo é que isto se admite” (li esta passagem no dia 13 de maio. coincidência? sim)

-“que melhor discurso pode haver para os padres do que a promoção da beleza de ser pobrezinho”

-“esperamos que exista no universo uma entidade maior, tentacular e poderosa, que venha obviar estas situações e nos desculpe o não envolvimento, o nenhum compromisso, porque somos pequenos, apenas um grão de areia nos cosmos infinito e desmobilizamos sem forças físicas nem mentais”

-” a morte era, afinal, a mais organizada das instituições. cheia de afazeres e detalhes, mas muito competente e certeira.”

-“a humanidade inventa deus porque não acredita nos homens”

nocontxt:

pretty cool lettering on this documentary poster. 

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Thursday, May 17, 2012

a world without petrol

(Source: poptartcreative)

Friday, May 4, 2012
Tuesday, May 1, 2012
aledlewis:

You Used To Be Cool.

aledlewis:

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Portugal. the man - so american

Tuesday, April 24, 2012
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BLASTED MECHANISM

Sunday, April 15, 2012
Friday, April 13, 2012
Hoje passei pelos mesmos jardineiros a falar por entre as grades sobre futebol, à mesma hora, no mesmo lugar e nas mesmas circunstâncias de sempre. Reparei nesta constante, ri-me e depois melancolizei. Também eu tinha caído na rotina porque passava sempre à mesma hora, no mesmo lugar e nas mesmas circunstâncias de sempre . Ana Regina às 10h30 da manhã de terças e quintas
Tuesday, April 3, 2012
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